Arrepiante | Amy

Rendi-me. Não consegui esperar, e fui ver o documentário sobre a cantora britânica Amy Winehouse, que morreu em 2011 aos 27 anos. O lançamento tinha sido feito pela primeira vez no festival de cinema de Cannes, mas já antes da estreia, este documentário tinha gerado polémica. Na altura a família comunicou que o filme continha alegações que seriam “infundadas e tendenciosas”.

No filme, é confirmado a ausência do Pai de Amy durante toda a sua infância. Masa cantora demonstrar um fascínio pela figura paterna, que é estranhíssimo de entender. Ao ver o documentário, ficamos com a ideia de que o pai se reaproximado, quando a filha alcançou o sucesso. É notório a imagem de um homem ‘faminto’ por explorar a fama da filha, e enriquecer às suas custas. Outra confirmação chocante é a confirmação de quando a cantora tinha demonstrado problemas graves com álcool e drogas, aos 23 anos, o pai não ter feito nada para ajudar, insistindo mesmo para que não fosse internada numa clínica de reabilitação (isto bateu com a primeira grande digressão pelos Estados Unidos). Mitch Winehouse tem recusado esta imagem dizendo que no documentário foram usadas declarações suas fora de contexto. Independentemente disso, ficando sempre por saber a veracidade destes documentários, as imagens mais explícitas sobre o alegado comportamento menos adequado do pai, são quando numa viagem de férias que a cantora fez para ‘limpeza’ (o seu marido Blake estava preso, acabada de sair de uma reabilitação, e precisaria de descansar), acabou por se transformar num reality show, pois Mitch levou uma equipa de TV para filmar ininterruptamente a filha.

O realizador britânico Asif Kapadia fez mais de 100 entrevistas ao longo dos últimos anos, utilizou as letras das canções como fio condutor do filme (uma vez que eram composições da autoria de Amy), e recorreu a muitas imagens de arquivo de amigos, músicos e de alguns familiares. Em termos musicais o filme está bem enquadrado, onde se vê o poder da voz de Amy e a sua capacidade de composição (de como ela se explorou e reinventou). Também é possível ver (e é assustador) o nível de drogas e álcool que pode ser utilizado no mundo artístico, ao mesmo tempo que os distúrbios pessoais influenciam as composições/criações.

Ponto alto do filme é a parceria que Tony Bennett fez com Amy no seu último ano de vida, onde a cantora aparece em estúdio nervosa, profissional e preocupada com o nível da qualidade de gravação. De salientar também que é evidente que as amigas de longa data da cantora se mantiveram sempre por perto, e sempre quiseram intervir, mas muitas vezes sem sucesso (infelizmente). Os seus testemunhos e palavras são emocionantes e arrepiantes, ficando mesmo a certeza que a certa altura não disfrutou nas melhores ‘amizades’. Quanto ao polémico namorado e marido, Blake Fielder, não há grandes novidades, apenas ficamos com a certeza de uma pessoa que se aproveitou da fraqueza, fragilidade e carência. Sendo que a situação entre os dois pirou, quando a britânica atingiu o seu apogeu máximo do seu sucesso mundial.

Em suma, como fã de música e em particular do trabalho de Miss Winehouse, o documentário é bastante enriquecedor em termos musicais e assustador em termos humanos. Musicalmente inspirador, mas ao mesmo tempo desilude imaginar que o mundo artístico é invadido por pessoas desinteressantes e pequenas. Existe a sensação de falta de peças num puzzle demasiado grande e complexo, mas como em todos estes casos, fica sempre muito por explicar. Vou ter saudades tuas Amy.

Avaliação de 9/10.

Fonte 1, 2 e 3

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