O Dia em Que a Música Ficou Mais Pobre | David Bowie

No mês em que lançou um dos seus álbuns mais vitais, “Blackstar“, David Bowie não conseguiu aguentar mais entre nós. Com 69 anos, o cantor britânico deixa para a história uma carreira com mais de 40 anos que revolucionou a música.

Bowie não era um cantor, não era um artista, era um ícone da música. Iniciou o percurso discográfico em 1967, no álbum de estreia homónimo, e apenas cinco anos depois editou um dos seus discos de referência, o quinto, “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars” (1972). Nesse álbum nasceu o seu alter-ego Ziggy Stardust, o primeiro de muitos, e registou as experiências desta estrela de rock imaginária, jogando as reflexões sobre a sociedade do seu tempo, da política à sexualidade, até alusões à ficção científica.

Na sua carreira terá vendido mais de 140 milhões de álbuns, por todo o mundo. O britânico ofereceu à música canções tão memoráveis como “Ashes to Ashes“, “Heroes“, “Let’s Dance” ou “Under Pressure” (ao lado dos Queen) e o seu longo caminho deu-lhe o estatuto de cantor mais camaleónico de sempre, abrindo caminho para nomes como Roxy Music, Duran Duran, Madonna, Pet Shop Boys, Soft Cell, Suede, Marilyn Manson, Placebo ou Lady Gaga, entre outros.

Bowie tinha acabado de lançar o 25ª álbum, “Blackstar“, a 8 de janeiro, o dia do seu 69º aniversário. Mas nos últimos anos, o londrino tinha-se dedicado a vários projetos, como bandas sonoras, comédia musical e algumas participações pontuais, como no último álbum dos Arcade Fire.

Nunca foi segredo, que Bowie gostava de experimentar coisas novas. E nós agradecemos por isso. Esse desfio até o levou ao jazz, neste último álbum. Nele existe baterias epilépticas, fluxos e explosões de saxofone (o primeiro instrumento do cantor) e uma voz de veludo, espalhando doçura, melancolia e ansiedade.

O cantor tinha prazer em  desconstruir as próprias canções, sem dar importância aos supostos limites de três ou quatro minutos do formato normal da canção pop-rock. Isso fazia com que todo o trabalho esteja recheado de arte, para além da música convencional. O seu gosto pelo desvio, irreverência e desconhecido foi mais forte na imagem, alargando o seu trabalho aos seus vídeos. Por estas razões e mais, este álbum tornar-se mais surpreendente porque ninguém esperava que fosse o último.

Um ícone da liberdade individual, que se despede sem nos deixar dizer adeus. Alguém que nos fazia sentir algo pela diferença, e nos ligava ao mundo mesmo quando este nos parecia fugir entre os dedos. Aquele para o qual o chão é algo sólido, e a rapa de lançamento para voar e aterrar novamente. Mesmo sem estar presente, de certo que vai continuar a marcar a sua presença. Então não é um adeus, é um até já.

#VéniaBowie

Alguns dos melhores vídeos do cantor:

Space Oddity – 1972

Life On Mars? – 1973

Be My Wife – 1977

Heroes – 1977

Ashes to Ashes – 1980

Let’s Dance – 1983

China Girl – 1983

Blue Jean – 1984

Dancing In The Street – 1985

Little Wonder – 1997

Algumas fotos emblemáticas do cantor:

David Bowie_01David Bowie_02David Bowie_03David Bowie_04David Bowie_05David Bowie_06David Bowie_07

Fonte 1, 2 e 3

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