Cartas da Guerra: O Poder do Amor

A espera chegou ao fim, e na passada quinta-feira estreou o novo filme de Ivo M. Ferreira que já tinha falado quando estreou em Berlim aqui. O filme é a adaptação ao cinema da correspondência de António Lobo Antunes nos anos 70 durante a sua ida para Angola, em plena guerra colonial. As cartas são um intensa e traumática reflexão poética sobre a condição humana num conflito sem sentido, entre guerra e amor.

O realizador Ivo M. Ferreira consegue assim estrear o seu filme em mais de vinte salas nacionais, apesar de algo injusto devido à grandiosidade desta obra de arte. O realizador português garante com este filme uma louvável incursão num território ainda desconfortável para o cinema em Portugal. Numa das épocas de maior importância da História recente do nosso pais,  além de um retrato de amor, é também a sua visão sobre a Guerra Colonial, que é ilustrada a preto e branco, com uma fotografia de se tirar o chapéu.

O conjunto de textos seleccionados é lido em off por Maria José (Margarida Vila-Nova), mulher de António Lobo Antunes (Miguel Nunes), e ilustrado por imagens que complementam ou contradizem aquilo que está escrito nas cartas. Este constante jogo entre o que se diz e o que se vê é feito de forma pouco óbvia, tornando-se a maior riqueza do filme, que vai deixar muitos de boca aberta, devido à grande intuição cinematográfica. São várias as vezes em que a narração aponta numa direcção inesperada, senão mesmo contrária à que nos é sugerida pela imagem. Ao mesmo tempo, temos a interacção de outros militares que se cruzam com o autor, e contribuem para completar a visão da guerra do ultramar, retratada como uma longa e atribulada noite de monstros e fantasmas.

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No papel principal vemos o jovem actor português Miguel Nunes, com a mesma idade com que o médico-escritor ingressou nesta aventura, que primeiro foi escolhido para o papel, e só depois entrou na intimidade de António Lobo Antunes, descobrindo na leitura das cartas uma ideia de amor eterno, e no final preparou-se para a guerra. Não é um tema fácil, pois maior parte das pessoas que por lá passou, não gosta de o abordar, sendo algo obscuro e cinzento.

Cartas da Guerra foi filmado na província de Cuando Cubando, nas Terras do Fim do Mundo, em Angola. Uma produção muito complicada, com vários elementos da equipa a contraírem doenças e que só foi possível graças ao apoio da população local.

Rendam-se a tamanha obra de arte portuguesa. Convido todos a ver este filme, e de certo que vão ficar surpreendidos. O filme conta o argumento de Ivo M. Ferreira e Efgar Medina, a partir de António Lobo Antunes, e as interpretações de Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira, David Caracol, Simão Cayatte e Cândido Ferreira e tem cerca de 105 minutos. Vão ao cinema!

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Fonte 1, 2, 3, 4 e 5

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