Music, Gaming, Fashion | Day #03 Web Summit

No último dia do evento, houve tempo para ouvir alguns assuntos “repetidos”, mas também para mudar o chip para a música, moda e gaming. Incluindo alguns nomes conhecidos das industrias passaram por Portugal para dar o seu testemunho e falar da sua experiência.

A nova experiência num festival de música

No palco MusicNotes, Marian Goodell (Burning Man) e Jonathan Mayers (Superfly), estiveram à conversa sobre os festivais que organizam, e é importante reter algumas das informações que disseram. Apesar de termos todos características diferentes, sabemos que quando juntamos as pessoas é porque elas querem ter uma experiência comum. A tecnologia invade os festivais apesar de se começar a assistir a momentos e experiências em que as pessoas querem coisas mais reais e momentos especiais, para guardar na memória, um bom exemplo disso é o Burning Man.

A Internet faz parte da experiência de um festival de música, não sejamos hipócritas, mas cada vez mais as pessoas dão valor em viver momentos e a Internet pode ser posta de lado mas tem que estar presente, nem que seja em locais específicos, transmissões especiais pela web para quem não vai ao festival, etc.

A aprendizagem com um festival é enriquecedora e tiram-se cases comportamentais bastante importantes, activações de marcas inovadoras, tecnologia, social media, comerciais, operativos, isto porque são mini cidades em movimento.

No final resumiu-se numa frase:“It isn’t about the music, is about bringing people together”. Ou seja, hoje em dia a música não é o key ingredient, mas sim procurar explorar os interesses das pessoas e formas de as pessoas se “ligarem” e aproveitar o momento. A musica continua a unir as pessoas, mas o festival de musica é mais que isso. É arte, hospitalidade, criar interacção e ambientes, em que as pessoas tragam o que absorvem para as suas vidas.

A verdade sobre a industria musical

 

No palco central, o cantor e compositor Ne-Yo disse que as leis da música continuam desactualizadas, apesar de ter feito uma actualização rápida com a entrada do streaming. Não há dúvidas que a Internet, e os consumidores de música online, permite um maior conhecimento dos fãs e do que gostam.

O Sound Cloud e o Deezer guardam dados dos fãs, através das apps dos artistas e conseguem uma comunicação mais directa entre artista e fã. O cantor falou da sua equipa de community manager, e da diferença entre cada artista nas redes sociais, até porque há artistas que não necessitam assim tanto das redes sociais. Ne-yo faz os seus próprios tweets, diz que os fãs não são estúpidos e sabem que não é o artista que está a escrever. Por sim, quando se falou das gerações mais novas, também referiu que já estão noutro estágio de redes sociais, e do consumo de conteúdos.

Quando o cantor passou para o palco MusicNotes, admitiu que neste momento prefere o “behind the scenes” porque não tem que pensar como estar na TV, o que fazer, prefere o anonimato. Os artistas trabalham para fãs, aqueles que dizem que trabalham para eles próprios, é mentira, pois para isso faziam música na garagem e não vendiam. A música é uma indústria dominada por homens, não quer dizer que desrespeitem as mulheres, mas são as mesmas que as permitem e alimentam um pouco disso – exemplo disso são letras a falar mal de mulheres, ou o termo muito usado”bitch“.

A industria reinventa-se e adapta-se às circunstância, o compositor falou do exemplo de como Beyoncé tem lançado os seus últimos álbuns e que tem tido a estratégia mais inteligente, ela criar eventos. Maior parte dos cantores concorda com o streaming, pela facilidade com que a música chega aos ouvintes, mas tem que haver controlo e tem que ser pago, fiscalizado pelas licenças e leis. Os valor que hoje se paga por direitos de autor são ridículos, injustos e desequilibrados.

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Qual o estado das editoras independentes?

No mesmo palco, para Bruce Pavitt é melhor os artistas trabalharem independentemente, mas existem depois deparam-se com o problema de dinheiro, como é o caso na criação de grandes vídeos de música, em que o poder negocial é baixo. Por outro lado, independentemente eles estão autónomos e conseguem criar uma trabalho que se identifiquem muito mais próximo da arte. Este paradigma está sempre em cima da mesa, sempre que os grandes artistas dão o passo da independência, e abandonam as grandes majors. Deixou no final uma dica para as editoras: olhem menos para o Facebook, Instagram e Twitter, desacelerem o investimento nas redes sociais e invistam mais nos artistas.

O futuro da moda …

Alguns nomes de importância no mundo da moda, passaram pelo palco Modum. Benjamin Males falou sobre o poder da moda no mundo da música, e como os seus trabalhos com os The Black Eyed Peas e Lady Gaga, influenciaram não só os fãs, como a industria. Com esta globalização, as redes sociais servem como inspiração e tendências mais rápidas. Além disso a industria da moda está, neste momento, dependente de conteúdo e redes sociais, de tal forma que há negócios próprios para essa vertente. Uma conversa um pouco morta com poucas novidades.

O sucesso Digital de Miroslava Duma

A russa Miroslava Duma, era umas das speakers mais aguardadas deste terceiro dia do evento. Não só pelo seu mediatismo nas redes sociais, como o seu sucesso no mundo dos negócios, nomeadamente na moda. Depois de ter passado pelo palco Modum, Miroslava passou pelo palco Content Makers para apresentar o seu case numa apresentação que teria tudo para ser interessante, se a mesma não a lê-se. De salientar que é necessário ter os melhores parceiros para atingir o sucesso, uma estratégia coerente em todas as plataformas, inovar e agarrar as oportunidades que nos surgem.

A TV ainda nos consegue surpreender?

No mesmo palco, assisti a um dos debates mais interessantes do dia. Para começar o orador disse: “é a afirmação mais parva de sempre.”. Todos sabemos que a TV já não é só o aparelho que temos, mas sim todos os devices onde podemos ver vídeos ou televisão. Por outro lado, a televisão não acaba hoje nem amanhã, quem sabe nunca, e não está desactualizada. Podemos ter mil plataformas para ver vídeos, como Netflix ou Amazon, mas precisamos da televisões tradicionais para lançar grandes estrelas, transmitir o evento do Super Bowl, programas de talentos, grandes séries, etc. O problema que hoje em dia temos, é controlar as audiências. Esta dispersão de conteúdo, principalmente com as redes sociais, torna complicado achar o individuo.

Na televisão a tendência são os programas ao vivo e não gravados, pela sua capacidade de gerar conteúdos orgânicos nas redes sociais. A relação entre o Twitter e os telespectadores, é espectacular pois mostra como se vê televisão hoje em dia. Além disso, os canais de televisão vão começar a criar conteúdos noutras plataformas: Facebook, Netflix, etc. Naõ se esqueçam do exemplo de sucesso de House of Cards. Por outro lado, há o gigante Snapchat que quer ser o novo media que substitui a televisão. Eles estão a fazer parcerias e criar com os seus mini-vídeos, e tornam-nos em programas. Por outro lado o Facebook Live está a elevar a qualidade do vídeo e conteúdos em exclusivo, não necessariamente gravados ao vivo, por exemplo, um cantor grava um concerto e lança-o numa determinada data para ser visto, com uma qualidade de DVD.

A diferença entre Multidão [Crowd] e Comunidade

Quase no fim das talks do evento, houve tempo para voltar a ouvir o actor Joseph Gordon-Levitt, e ainda bem! O detentor do hitRECord, esteve numa apresentação, para um MEO Arena quase cheio, a expicar a criação deste projecto. Começou por falar da Internet no geral e que não a vê como um problema, apenas termos que retirar o melhor dela (muitas vezes não acontece). Segundo o actor, deveríamos utilizar a Internet para fazermos comunidades, e não só partilhas de conteúdos para os amigos, ou seja, juntar pessoas para criarem conteúdo em conjunto.

Todos gostamos de anda na Internet mas o facto de andarmos a navegar constantemente bloqueiam a criatividade (quem já não sentiu isso? Eu já!) Assim para ele o que existe nos dias de hoje no universo online vs. o que a sua plataforma faz é o seguinte:

  • Hoje em dia vivemos em Crowd (pessoas competem em vez de criarem em conjunto) e devíamos pensar em Community (indivíduos únicos, qualidade únicas);
  • O que temos online é Free Culture (arte, jornalismo, musica, cinema, mas tem que haver limites de direitos, e quem cria tem que ganhar algum dinheiro – exemplo do livro Who Knows The Future)  e deveríamos passar para Fair Compensation (onde todos os que fazem parte da comunidade contribuem, e quando alguém ganha dinheiro, todos ganham a sua parte) ;
  • Não há dúvidas que a Internet é Socializing (todos conectados e partilha das suas vidas com os outros, mas é limitada para socializar, “perdemos o nosso tempo” quando outros estão a ganhar dinheiro com isso, pensem nisso!) e deveríamos passar para Collaborating (um exemplo é lançar concurso e torna-lo em projectos).

Concluiu, que a Internet tem que existir e ser monitorizada, a democracia é isso mesmo! Podemos é questionar-nos se estamos no caminho certo, se vamos continuar a tratar a Internet como a tratamos hoje em dia. Como humanos temos a obrigação de saber como utilizar a tecnologia, é nosso dever.

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Por este ano o Web Summit chegou ao fim, e claro que deixou saudades. A forma como invadiu a cidade, as palavras de agradeço que nos deram, as ideias que borbulharam no Parque das Nações, deixam saudades. Para os amantes de publicidade, foram 3 dias de absorção total do melhor está a ser feito pelo mundo, e as tendêndias do futuro.
Comparativamente ao segundo dia, foi mais leve e menos rico. Tivemos alguns temas repetidos (e por isso não quis escrever novamente sobre eles) e umas abordagens de diferentes negócios, que não têm a expressão no nosso país. Mas ainda assim, podemos tirar outras conclusões gerais. Devemos desenvolver conteúdos orgânicos e potenciar comportamentos que já existem. Por outro lado, quando falado sobre publicidade, Veynerchuck disse por A mais B porque razão “nobody gives a fuck”, quando ninguém quer levar com anúncios que não quer ver. Além disso, este senhor muito polémico disse algo muito acertado: “A quantidade de pessoas que opinam sobre social media, ou merdas do digital, sem sequer terem implementado a m**** de uma campanha no Facebook, é inacreditável. Parem de opinar sobre o que não sabem e vão testar, façam e vejam como se faz!”
Os Youtubers têm que sair da zona do online para manter a sua comunidade online, ou seja, as pessoas querem ver se eles são reais e se existem. Os publicitários deviam amar o Ad-Blockers porque a maior parte dos anúncios são estúpidos, intrusivos e irrelevantes. Para quê continuar com isto?
Outro cantor presente foi Ja Rule, que explicou a razão da criação da sua app para os artistas. Ao fim ao cabo, quando se queria trabalhar com um artista, seja em concertos ou brand, os passos até lá chegar eram imensos. Muitos intermediários, muitas pessoas da editora, e muitas vezes os cantores não tinham sequer noção das abordagens. Agora, através da Fyre, os compositores, músicos e cantores querem controlar mais a sua carreira e contactos, mas sem nunca acabar com as labels, mas numa visão diferente porque não têm acesso a metade da informação e perdiam negócios, ou seja, eles têm poder de negociação dos contratos.
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Portanto a #VidaDePublicitário despede-se aqui do Web Summit 2016, deixando muitas saudades. Mas a ansiedade é frenética, e vontade não falta de voltar para o ano.

Segue o Charlie na Terra do Nunca em
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