Este Domingo Há Óscares!

Os Óscares aproximam-se a velocidade cruzeiro, aliás é já na madrugada de Domingo que são entregues as estatuetas mais famosas do mundo do cinema. Muito se falou e escreveu sobre os filmes, mas gostos são gostos, e para quem gosta de filmes, a cerimónia não pode ser melhor para festejar um ano de grandes produções.

São muitos os filmes, e alguns ficaram de fora (não entendo a razão de só filmes perto da data dos Óscares estarem nomeados), mas antes tivemos algumas cerimónias que nos podaram trazer um pouco do que pode vir a ser a cerimonia deste ano, como os SAG Awards, os Globos de Ouro e os Bafta Awards.

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Normalmente não faço grandes votações, mas adoro ver os filmes para depois saber se foi justo ou injusto a atribuição da estatueta. Já tinha feito um post sobre os 11 filmes que deviam mesmo assistir antes dos Óscares (aqui), e um post especial só para o La La Land (aqui), porque adorei e pelas suas 14 nomeações.

Apesar de ter falhando a ante estreia, já tive o prazer de ver Moonlight. E que filme! Uma história de solidão, descoberta, agonia e compreensão, com momentos de pura ternura e outros igualmente cruéis. Numa altura que não paramos para ver o que nos rodeia, este filme transpira o egoísmo humano e a falta de visão que temos para com os outros. A história é densa, real, fria, crua mas ao mesmo tempo emotiva, com uma densa carga de sofrimento, explicando o que leva à criação do nosso EU, destacando ainda o um duplo preconceito e a luta pessoal e familiar. Não deixem de ver este filme e te retirar todo o sumo que nos tem para dar. Vénia GRANDE a estes filmes.

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No filme, Jackie, que tive o prazer de ver a ante estreia, baseia-se a entrevista que Jackie Kennedy deu à revista “Life” apenas uma semana depois do assassinato do marido, numa altura em que estava obcecada por contar a sua versão dos factos e recordar as qualidades do presidente. Mais uma vez, a história que todos já vimos e lemos o que havia para ver e ler sobre o homicídio de John F. Kennedy, a 22 de Novembro de 1963, volta a ser retratada mas desta vez pela fenomenal Natalie Portman. Na altura, toda a gente viu, também, Jackie Kennedy com os dois filhos pequenos pela mão no funeral de Estado — imagens que ainda hoje são icónicas, e retratadas no filme. Assim, no filme de Pablo Larraín (“Neruda”, “O Clube”), que não traz nada de novo, podemos ver (mais) uma grande interpretação desta actriz. O resto não se poderia esperar muito mais, pois o tema já foi demasiadamente explorado.

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Também tive presente na ante estreia do filme Miss Sloane que é um thriller muito actual, e é realizado por John Madden (“A Paixão de Shakespeare”). Um filme que vale pela actualidade e pela controvérsia à volta de manobras politicas e interesses mais altos. Jessica Chastain é talentosa e inteligente nas escolhas que faz (quase todas, pelo menos), mas até onde lhe pode levar esses talentos sem se trair a ela própria? A actriz que dá cara a esta personagem é Elizabeth Sloane, uma lobista que todos temem mas ao mesmo tempo todos a desejam na sua equipe. De salientar que o argumento do filme foi escrito por Jonathan Perera, novato nestas coisas, esta é a sua primeira história. No final é um filme que vale pela grande interpretação da actriz, e que pouco acrescenta a esta género de filmes.

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Neste caso, comecemos pelo fim: Adorei Manchester By The Sea. Que filme! Ele é bonito, cru e real, ao mesmo tempo que nos surpreende e agarra na sua monotonia silenciosa. Depois temos Casey Affleck que tem aqui o melhor papel da sua carreira (ou perto disso), numa história escrita por Kenneth Lonergan. Se até aos trinta minutos iniciais do filme, pensei: mas que raio está Casey a fazer?! Depois da explicação, só se pode fazer uma vénia, a este actor que já tinha provado noutros filmes o seu talento para a sétima arte. Esta é uma história sobre dor e perda, e apesar poder ser mais explorada, o realizador deixou-a no ponto real, em que as nossas mentes são obrigadas a descortinar uma série de questões paralelas abordadas na história. Não querendo contar muito, depois de uma tragédia pessoal que o levou a deixar tudo para trás, Lee Chandler é porteiro em Boston, ganha o ordenado mínimo, arranja canos, despeja caixotes do lixo e a sua inexpressividade equivale ao vazio da cave onde mora (fez-me lembrar muitos actores portugueses mal dirigidos sem expressão ou emoção). Ele vive assim porque quer, numa espécie de castigo que o próprio se impôs depois do que aconteceu no passado. O que aconteceu vai sendo revelado aos poucos, através de flashbacks, numa mistura de presente com passado, tornando o filme uma bola de neve que nos prende e agarra até ao último segundo.É mais dramático do que qualquer coisa que possamos ir imaginando até meio do filme, e ai está a ciência deste argumento, que merece sem dúvida prémios para uma mão cheia.

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Ainda temos Silence, de Martin Scorsese, que conta a história de dois missionários portugueses que procuram o seu mentor espiritual no Japão do século XVII. Há 26 anos que o realizador tem trabalhado nesta ideia: a de transformar o livro de 1966 do escritor japonês Shusaku Endo em filme, portanto era algo que estava muito pensado e esquematizado na cabeça de Scorsese. Para muitos este filme tem pouco do realizador, mas ainda assim não deixa de ser uma elaboração complexa, histórica, e claro que grande importância para nós, Portugueses. Esperem um filme parado, monótono, mas com boas representações. Por vezes chega a parecer o documentário pela forma como o filme retrata a perseguição e tortura de que os cristãos eram vítimas no Japão naquele que ficou conhecido pelo período de Edo.

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A realidade é que há filmes que são grandes e bons, mas não chegam a um patamar superior. Em The Light Between Oceans, de Derek Cianfrance é isso que acontece. Não há muitos dedos a apontar ao filme, onde Fassbender e Vikander não são suficientes para iluminar esta história de amor dramática. Uma história de amor, perda e luto, onde os actores estão fantásticos com grandes papeis e interpretações, mas isso já se esperava destes dois. O filme não enche as medidas, talvez pelo tempo. Uma fotografia de se tirar o chapéu. É um grande filme, simplesmente “não chega lá”.

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Por outro lado, há Lion, de Garth Davis, que conta a história verídica de uma longa estrada para casa. Não há muito a dizer sobre esta história, que está por todo o lado na internet. O filme retrata realisticamente a história deste miúdo (que agora tem 35 anos), de nome Saroo, que em 2013 contou a sua aventura no livro “A Long Way Home”. O filme conta com um elenco de estrelas: Dev Patel, Rooney Mara, Nicole Kidman e David Wenham. Ao contrário de outros filmes onde os factos verídicos ficaram à margem da história, em Lion mantém-se bastante fiel à realidade.

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No que se refere à animação, outra categoria que adoro, este ano a Disney está com o filme Zootrópolis, que tive o prazer de ver, e podem também recordar o post do filme aqui. Ainda esta semana, fiz um post muito giro sobre alguns cartazes que a equipa de produção realizou para promover os Óscares (podem ver aqui).

Aguardemos pela premiação e os resultado dos vencedores e vencidos. Do meu lado ainda tenho alguns que quero ver e que estou em falha por falta de tempo: Fences, Hidden Figures, Hacksaw Ridge, Arrival, Elle, Toni Erdmann, 20th Century Women, Forushande, e mais alguns.

Mas e vocês o que já viram destes filmes? O que acharam? Vão ficar acordados na madrugada de domingo para segunda para acompanhar toda a cerimónia?

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MOONLIGHT, de Barry Jenkins

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JACKIE, de Pablo Larraín

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MISS SLOANE, de John Madden

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MANCHESTER BY THE SEA, de Kenneth Lonergan

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SILENCE, de Martin Scorsese

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THE LIGHT BETWEEN OCEANS, de Derek Cianfrance

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LION, de Garth Davis

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